Café Beatnik

Carl Sandburg – Passers-By

Publicado em Literatura por cafebeatnik em janeiro 22, 2012

PASSERS-BY,
Out of your many faces
Flash memories to me
Now at the day end
Away from the sidewalks
Where your shoe soles traveled
And your voices rose and blend
To form the city’s afternoon roar
Hindering an old silence.

Passers-by,
I remember lean ones among you,
Throats in the clutch of a hope,
Lips written over with strivings,
Mouths that kiss only for love.
Records of great wishes slept with,
Held long
And prayed and toiled for. .

Yes,
Written on
Your mouths
And your throats
I read them
When you passed by.

Ezra Pound – The Garden

Publicado em Literatura por cafebeatnik em janeiro 22, 2012

En robe de parade.
Samain

Like a skien of loose silk blown against a wall
She walks by the railing of a path in Kensington Gardens,
And she is dying piece-meal
of a sort of emotional anaemia.

And round about there is a rabble
Of the filthy, sturdy, unkillable infants of the very poor.
They shall inherit the earth.

In her is the end of breeding.
Her boredom is exquisite and excessive.
She would like some one to speak to her,
And is almost afraid that I
will commit that indiscretion.

Piores Filmes de 2011

Publicado em Cinema por cafebeatnik em janeiro 19, 2012

E como não poderia deixar de mencionar, aqui está a minha lista de piores do ano (filmes que não deveriam ter vindo à vida terrena). Aliás, devo ressaltar que optei por colocar aqui somente 05 filmes que me deram alguma esperança/expectativa de serem legais, mas que se mostraram verdadeiros fiascos (portanto, não preciso recair no clichê e apontar comédias românticas, filmes com a Sandra Bullock ou algo vindo da saga “Crepúsculo”).

O primeiro colocado foi uma surpresa de um mau gosto e tanto, pois além de ser ruim, eu pude entender, a partir dele, como a censura pôde ser benéfica em proibi-lo (a obra é de uma grosseria e de uma falta de ética tamanhas, que não há nada além da gratuidade doentia por violência).

O filme do Zack Snyder, segundo colocado, só comprovou a minha teoria de que este diretor pode ser um novo fruto podre do cinema. Tal qual “Watchmen”, sua nova obra é cafona, sensacionalista, cheia de câmeras lentas e videoclipescas de cansar, atuações equivocadas e um péssimo desgaste na visualidade tão bacana do steampunk (ah, sem falar na falta de criatividade de trazer outra Alice/Dorothy, a qual cria um universo à parte para fugir de sua realidade atroz – o Snyder não poderia ter referências melhores, como o próprio “Labirinto do Fauno”, do Del Toro, ou “Joe, o Bárbaro”, do Grant Morrison?). Ridículo!

“O Besouro Verde” está para além de comentários (só tristeza, já que esse bacalhau veio de um diretor muito bacana), ao passo que “Transformers 3″, por motivos óbvios, está na lista por se esquecer que a platéia tem cérebro (e eu não vou dar desconto ao filme só por causa de sua montanha russa de efeitos especiais bacanas – cadê o resto?).

“Se Beber não Case” talvez tenha sido a minha maior ingenuidade, pois imaginei que eles teriam a mesma criatividade incorreta para a sequência (e o incorreto estava lá, só que em uma cópia cafona e constrangedora do primeiro).

A moral da história? Esses filmes são ótimos para indicar para seus piores inimigos. E se quiserem ler a minha lista de melhores de 2011, clique aqui.

01 – A Serbian Film (Srdjan Spasojevic)
02 – Sucker Punch (Zack Snyder)
03 – O Besouro Verde (Michel Gondry)
04 – Transformers 3 (Michael Bay)
05 – Se Beber não Case 2 (Todd Phillips)

A Pele que Habito

Publicado em Cinema por cafebeatnik em janeiro 9, 2012

Como eu viajei de férias, só vim assistir “A Pele que Habito”, do Almodóvar, agora no começo de janeiro, nos cinemas (porém, ele tinha aportado por aqui em dezembro do ano passado, de forma que, dessa forma, devo considerá-lo, ainda, um destaque de 2011). Em todo caso, resolvi fazer um post rápido para falar dessa agradável surpresa, ótimo título do diretor (após seu menor e desequilibrado “Abraços Partidos”), e produzido na qualidade de “Volver”, “Tudo Sobre minha Mãe” e “Carne Trêmula”.

E não vou tratar da história em si cheia de detalhes (a qual foi baseada em um livro chamado “Tarântula”, quase que escrita para se tornar um filme do espanhol), mas da mensagem que me ficou mais marcada ao término da sessão (portanto, se você não viu o filme, não siga adiante, por conta dos spoilers).

Independente de um certo tipo de terror estar lá (algo, na minha opinião, até bem diferente dos exemplares de gênero do próprio Almodóvar), percebi que a mensagem principal falava da diferença (e a violência por não entendê-la); algo muito corriqueiro para os inúmeros causos que tem ganhado destaque da mídia: a noção de algo inexplicável, simplesmente existente (nesse caso, a vítima, alegorizada pelo arquétipo do paciente que se torna, contra seu controle, em um transsexual – metáfora muito própria para ressaltar tal condição desses seres de borda) versus seu extremo oposto, também incompreensível, intrusivo, gratuito e inconformado (o médico, arquétipo da ignorância e da violência gerada por ela).

O caos que se forma entre os dois pólos distintos acaba servindo de ferramenta para várias camadas de discussões psicológica e antropológica, bem como para a estética do estranho como componente da nossa sociedade (e aí, de forma mais sutil, toda a visualidade e sketches tão famosos do diretor).

Muito legal e válido para se sentir na condição estranha do outro, não entendido, pária. Uma obra que de maneira mais ampla pode tratar da delicada situação que cada ser humano vive em determinados contextos sociais. Ótimo começo de 2012, não?

Carl Sandburg – Window

Publicado em Literatura por cafebeatnik em janeiro 9, 2012

Night from a railroad car window
Is a great, dark, soft thing
Broken across with slashes of light.

Montevideo

Publicado em Variações Pessoais por cafebeatnik em janeiro 6, 2012

Nossos últimos dias em Montevideo encerram os relatos de viagem. Após chegar extremamente cansados da viagem de Buenos Aires/ Colonia del Sacramento, passamos nosso primeiro dia de retorno à capital uruguaia literalmente dormindo (com a única exceção de comer algo na beira mar e voltar para a proposta quarto de hotel).

Somente no segundo dia que as coisas mudaram um pouco de forma e pudemos revisitar alguns lugares mais apreciados (ou até mesmo concluir propostas não efetivadas durante a nossa primeira passagem): Teatro Solís (dessa vez com uma visitação guiada, a qual trouxe mais dimensão para entender a sua beleza e intensidade de espetáculos), um tempo maior para capturar fotos de praças, estátuas e cenas, o Museo do Carnaval (que não tive a oportunidade de visitar na primeira vez, e que se mostrou bem mais simples do que eu esperava) e uma refeição final no imperdível Mercado del Puerto (com direito a Medio y Medio e uma das melhores carnes de carneiro que já provei). E por falar em Mercado del Puerto, encontramos por lá um dos garotinhos de rua mais engraçados que se poderia encontrar (Lucas). É claro que ele precisava de dinheiro para a família, mas sua versatilidade/oratória/bom humor fizeram dele uma das grandes figuras desse término de viagem.

De qualquer forma, creio que é isso e não tenho mais nada a falar dessa viagem (talvez o básico e compartilhável já ganhou seu espaço aqui). Contudo, devo ressaltar, mais uma vez, a alegria e a dor de conhecer, compartilhar e perder tanto ao mesmo tempo. Acho que fazemos uma troca tão interessante ao conhecer pessoas diferentes, boas, situações, geografias, e guardá-las como memórias que aos poucos ganham opacidade… Acho que gostaria de falar acerca desses dias (das presenças e ausências), caso algum dia eu seja um velho…

“Pensamos que, se um tempo é infinito, creio eu, esse tempo infinito tem de abarcar todos os presentes e, em todos os presentes, por que não este presente? Se o tempo é infinito, em qualquer instante estamos no centro do tempo” (Jorge Luis Borges – A Imortalidade).

Será?

Buenos Aires

Publicado em Variações Pessoais por cafebeatnik em janeiro 6, 2012

Buenos Aires é, sem dúvida, uma das cidades mais bonitas (talvez a mais) da América do Sul (isso dentro de um olhar mais histórico, da cidade como experiência arquitetônica). Se eu tivesse de escolher, teria grandes dúvidas entre ela e Santiago. Em todo caso, entre nossa chegada da capital do Chile e nossa volta para Montevideo, resolvemos passar mais um dia andando pela urbe argentina.

Sempre há algo que merece ser revisto (como foi o caso da linha A do metrô ou o bairro do Alto Palermo), mas também sempre há algo que pede uma visitação mais tranquila: neste ponto, os bairros de Puerto Madero (localização costeira com vários restaurantes e os prédios mais modernos da cidade) e San Telmo (opostamente, o bairro mais histórico, repleto de mercado de pulgas e ruelas de casas antigas).

O último dia mereceu um tom mais contemplativo, informal, de forma que a zona costeira em frente aos diques de Puerto Madero acabou virando a rota final (a qual, inclusive, ganhou a primeira contemplação do pôr-do-sol desde a Casa Pueblo). São nesses momentos que eu sempre fico me sentindo menor, menos amortizado pelo mecanicismo das tarefas rotineiras, a ponto de buscar explicações para as sensações que o deslocamento e a ausência de referências nos causam (uma estrutura de sentimento deliberadamente mais fluida, porém cheia de afetos).

Saímos de Buenos Aires, mais uma vez, durante a madrugada (entretanto, de navio há uma sensação de esplendor mais clara, da mesma forma como havia sido durante a chegada). Montevideo seria a etapa final (depois de ter sido a inicial) e tranquila dessa pequena aventura sul americana (l’avventura).

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Santiago e Viña del Mar

Publicado em Variações Pessoais por cafebeatnik em janeiro 5, 2012

Dando continuidade ao relato chileno, porém de maneira mais enxuta, irei pontuar um pouco sobre essa cidade reveladora e tremendamente híbrida (falo isso, inicialmente, por conta do primeiro impacto que tive ao ver uma mistura de arquiteturas – neoclássica e moderna -, as quais conviviam de maneira bem característica).

A capital do Chile não é de uma beleza plástica impressionável à primeira vista (contrária a Buenos Aires), mas sua riqueza de possibilidades visuais e experimentais a tornaram na melhor descoberta dessa viagem. Bem, grafites ótimos estão espalhados pelos seus muros (principalmente no bairro mais boêmio da Bella Vista), ao passo que virar suas esquinas traz sempre uma experiência da surpresa (engraçado como percebi que, diferentemente de Santiago, Buenos Aires possui uma maior exuberância de pichações políticas, sem grandes grafites com apelos estéticos); museus de arte com boas propostas curatoriais (O Museu de Belas Artes me trouxe descobertas fascinantes, como foi o caso de uma individual de um artista chileno chamado Palolo Valdés, outra de uma chilena chamada María Angélica Echavarri e uma instalação do brasileiro Alex Fleming; planos de conservação corretíssimos e respeitosos; soluções muito espertas de divisões do espaço museológico); muitos restaurantes chineses, de mariscos, hindus e locais (comer o tal do caranguejo do pacífico, ainda que caro – visto o prato sair por uns 280 reais convertidos -, é uma experiência obrigatória, ainda mais se for acompanhada de um Castillero Del Diablo branco e suave, nas instalações do Mercado Central); um clima bossa nova (muitos cafés, bares, karaokês esquisitos) e gente jovem (aqui, pelo menos, tem pra todo lado).

Outros programas turísticos devem ser ressaltados: a casa do Pablo Neruda (feita para sua amante Matilde, umas das 03 do poeta espalhadas pelo Chile – e que, por sinal, teve a primeira visita guiada realmente interessante); o Museu de Arte Contemporânea (bem atrás do de Belas Artes); o zoológico (o qual fica num morro e transforma a visita em uma grande escalada que dá uma vista panorâmica da cidade – e eles possuem até um urso polar), o Castelo Hidalgo (outro prédio antigo construído em um morro gigantesco, o qual nos faz pensar até nas intempéries para a sua execução); o Palácio Gabriela Mistral; a Basílica (gigantesca e bem opressora); e o Pátio Bella Vista (um emaranhado de cafés e bares sofisticados, no bairro de mesmo nome, que é uma impressionante opção de bom gosto e tranquilidade).

Ainda no ano novo, fomos para Valparaiso e Viña Del Mar (a primeira é mais histórica e a segunda tem um apelo meio Ipanema do Pacífico), celebrar a passagem para 2012 (o fim?), tomar banho no mar gelado até demais e ir para uma festa chilena (que foi ótima e estranha, já que havia um tal de animador, que ficava falando e convidando todos para dançar e um Dj nada convencional – nunca vi um set list tão misturado e composto por 02 min, no máximo, de cada uma das músicas).

Caminhar por Viña foi muito legal, ainda mais apinhada de gente de todos os cantos. E somente na manhã seguinte que visitamos Valpo e pudemos ver os prédios históricos de origem inglesa (ah, mas para fazer tudo isso é necessário alugar um carro, caso contrário poderia virar um tiro no escuro – e o caminho de Santiago até as duas cidades é muito direto e fácil).

Enfim, ainda passamos por alguns bares, conhecemos chilenos (os quais são sempre muito simpáticos, na melhor caracterização do oposto que é o mal humorado e quase sempre rude argentino) e viramos amigos deles e sentimos de forma mais próxima a cultura local. Engraçado como alguns momentos, mesmo que curtinhos, ganham mais vividez e nitidez do que a nossas rotinas e parecem se encher de beleza.

Após uns 06/07 dias em Santiago, devo ressaltar que fiquei meio melancólico (acho que uma viagem boa deve nos deixar assim, não?). Tomamos nosso avião para Buenos Aires na manhã seguinte (já que fazer toda essa viagem de vinda de navio e onibus é cansativa, e ninguém merece se não for para conhecer pela primeira vez – ainda mais sabendo que, segundo cálculos, sai mais caro e menos confortável) e, rapidamente, trouxemos lembranças que valem a pena ser divididas.

Mendoza, Andes e Santiago

Publicado em Variações Pessoais por cafebeatnik em janeiro 3, 2012

Bem, devo estar em meu vigésimo alguma coisa dia de viagem e já deixei de comentar muito por aqui. Como tinha dito no post anterior, antes de tirar férias dessa obrigação de relatar toda a viagem, estava em Mendoza e iria no dia seguinte fazer um passeio turístico pelas vinícolas e afins. Então vamos lá…

Na situação em questão, por muito pouco, nosso passeio não foi um fiasco completo. Com um valor de uns 150 pesos argentinos (uns 80 reais), provamos um pouco mais do que uns 4 dedos de vinhos (com direito a uma primeira vinícola – López – irritante, feia, com guias maçantes) e tivemos muita enrolação de uma guia na van a qual falava um inglês inintelingível. O bom, pelo menos, é que a segunda vinícola – Mevi – foi muito mais charmosa, com direito a um passeio “Sideways” pela plantaçãode uvas e conversas agradáveis com brasileiros distintos. O absurdo, entretanto, é que a parte mais válida não ficou por conta da Mevi, mas sim por uma visita a uma plantação de olivas (com direito a azeites, patês e uma ótima degustação) que deixou no chinelo as anteriores. Moral da história: só faça esse passeio se tiver dinheiro sobrando, caso contrário, vá para o Chile, que os vinhos são melhores.

Outro ponto. Eu já tinha falado que Mendoza é meio frustrante, já que não há beleza, mas somente algumas estradas com vinícolas interessantes nos seus arredores, contudo, a noite foi bem positiva. Há uma alameda com bares, tocadores de violão e cervejas ótimas (a Andes e a Quilmes são as recomendadas), de forma que trouxeram outro ar para a cidadezinha mais quente que eu já passei na vida.

Na manhã seguinte, por sinal, antes da nossa viagem pelos Andes, também conhecemos, na minha opinião, o melhor  museu de arte contemporânea que vi em todas as cidades da nossa viagem (e em Mendoza!). Uma individual de uma artista chamada Graciela Sacco foi impressionante, além do fato de haver uma curadoria extremamente atual e antenada com as propostas da street art nas outras salas.

A viagem pelos Andes, por outro lado, desde o começo se mostrou que é uma das experiências que qualquer ser humano deve ter na vida. Pegamos outro ônibus da CATA (a mesma empresa que nos levou de Buenos Aires até Mendoza), e empreendemos nossa jornada incrivelmente bela e assustadora. É muito bacana viajar de ônibus por estradas cheias de desfiladeiros, túneis sem fim, claustrofobia) e uma série de pequenos santuários espalhados pelas estradas (o que não dava para entender se eram túmulos ou representações culturais da religiosidade local). A ponto da alfândega que é mais lento e toma um pouco de tempo para fazer algo que poderia ser mais simples (como eu já tinha visto nas alfândegas de Montevideo e Buenos Aires). Após um dia inteiro de viagem pelos Andes, chegamos em uma cidadezinha prévia a Santiago chamada Los Andes (dã!) e em seguida foi a vez da capital chilena.

Entretanto, um aviso: a rodoviária de Santiago, realmente, dá uma péssima primeira impressão, e, ao meu ver, pareceu muito mais inferior à rodoviária até de Belém (se compararmos que uma é uma capital de um país e a outra de uma cidade menos central do Brasil, temos uma idéia do disparate).

Felizmente, como nem tudo é espinho, chegamos a uma cidade realmente incrível (Santiago, óbvio) que vai ser mais detalhada em um post mais à frente. Escrevi muito por hoje, não?

Publicado em Variações Pessoais por cafebeatnik em dezembro 30, 2011

Cansei de comentar a viagem.

 

It’s all over now, babe blue…

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