Café Beatnik

Mendoza, Andes e Santiago

Publicado em Variações Pessoais por cafebeatnik em janeiro 3, 2012

Bem, devo estar em meu vigésimo alguma coisa dia de viagem e já deixei de comentar muito por aqui. Como tinha dito no post anterior, antes de tirar férias dessa obrigação de relatar toda a viagem, estava em Mendoza e iria no dia seguinte fazer um passeio turístico pelas vinícolas e afins. Então vamos lá…

Na situação em questão, por muito pouco, nosso passeio não foi um fiasco completo. Com um valor de uns 150 pesos argentinos (uns 80 reais), provamos um pouco mais do que uns 4 dedos de vinhos (com direito a uma primeira vinícola – López – irritante, feia, com guias maçantes) e tivemos muita enrolação de uma guia na van a qual falava um inglês inintelingível. O bom, pelo menos, é que a segunda vinícola – Mevi – foi muito mais charmosa, com direito a um passeio “Sideways” pela plantaçãode uvas e conversas agradáveis com brasileiros distintos. O absurdo, entretanto, é que a parte mais válida não ficou por conta da Mevi, mas sim por uma visita a uma plantação de olivas (com direito a azeites, patês e uma ótima degustação) que deixou no chinelo as anteriores. Moral da história: só faça esse passeio se tiver dinheiro sobrando, caso contrário, vá para o Chile, que os vinhos são melhores.

Outro ponto. Eu já tinha falado que Mendoza é meio frustrante, já que não há beleza, mas somente algumas estradas com vinícolas interessantes nos seus arredores, contudo, a noite foi bem positiva. Há uma alameda com bares, tocadores de violão e cervejas ótimas (a Andes e a Quilmes são as recomendadas), de forma que trouxeram outro ar para a cidadezinha mais quente que eu já passei na vida.

Na manhã seguinte, por sinal, antes da nossa viagem pelos Andes, também conhecemos, na minha opinião, o melhor  museu de arte contemporânea que vi em todas as cidades da nossa viagem (e em Mendoza!). Uma individual de uma artista chamada Graciela Sacco foi impressionante, além do fato de haver uma curadoria extremamente atual e antenada com as propostas da street art nas outras salas.

A viagem pelos Andes, por outro lado, desde o começo se mostrou que é uma das experiências que qualquer ser humano deve ter na vida. Pegamos outro ônibus da CATA (a mesma empresa que nos levou de Buenos Aires até Mendoza), e empreendemos nossa jornada incrivelmente bela e assustadora. É muito bacana viajar de ônibus por estradas cheias de desfiladeiros, túneis sem fim, claustrofobia) e uma série de pequenos santuários espalhados pelas estradas (o que não dava para entender se eram túmulos ou representações culturais da religiosidade local). A ponto da alfândega que é mais lento e toma um pouco de tempo para fazer algo que poderia ser mais simples (como eu já tinha visto nas alfândegas de Montevideo e Buenos Aires). Após um dia inteiro de viagem pelos Andes, chegamos em uma cidadezinha prévia a Santiago chamada Los Andes (dã!) e em seguida foi a vez da capital chilena.

Entretanto, um aviso: a rodoviária de Santiago, realmente, dá uma péssima primeira impressão, e, ao meu ver, pareceu muito mais inferior à rodoviária até de Belém (se compararmos que uma é uma capital de um país e a outra de uma cidade menos central do Brasil, temos uma idéia do disparate).

Felizmente, como nem tudo é espinho, chegamos a uma cidade realmente incrível (Santiago, óbvio) que vai ser mais detalhada em um post mais à frente. Escrevi muito por hoje, não?

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