Santiago e Viña del Mar
Dando continuidade ao relato chileno, porém de maneira mais enxuta, irei pontuar um pouco sobre essa cidade reveladora e tremendamente híbrida (falo isso, inicialmente, por conta do primeiro impacto que tive ao ver uma mistura de arquiteturas – neoclássica e moderna -, as quais conviviam de maneira bem característica).
A capital do Chile não é de uma beleza plástica impressionável à primeira vista (contrária a Buenos Aires), mas sua riqueza de possibilidades visuais e experimentais a tornaram na melhor descoberta dessa viagem. Bem, grafites ótimos estão espalhados pelos seus muros (principalmente no bairro mais boêmio da Bella Vista), ao passo que virar suas esquinas traz sempre uma experiência da surpresa (engraçado como percebi que, diferentemente de Santiago, Buenos Aires possui uma maior exuberância de pichações políticas, sem grandes grafites com apelos estéticos); museus de arte com boas propostas curatoriais (O Museu de Belas Artes me trouxe descobertas fascinantes, como foi o caso de uma individual de um artista chileno chamado Palolo Valdés, outra de uma chilena chamada María Angélica Echavarri e uma instalação do brasileiro Alex Fleming; planos de conservação corretíssimos e respeitosos; soluções muito espertas de divisões do espaço museológico); muitos restaurantes chineses, de mariscos, hindus e locais (comer o tal do caranguejo do pacífico, ainda que caro – visto o prato sair por uns 280 reais convertidos -, é uma experiência obrigatória, ainda mais se for acompanhada de um Castillero Del Diablo branco e suave, nas instalações do Mercado Central); um clima bossa nova (muitos cafés, bares, karaokês esquisitos) e gente jovem (aqui, pelo menos, tem pra todo lado).
Outros programas turísticos devem ser ressaltados: a casa do Pablo Neruda (feita para sua amante Matilde, umas das 03 do poeta espalhadas pelo Chile – e que, por sinal, teve a primeira visita guiada realmente interessante); o Museu de Arte Contemporânea (bem atrás do de Belas Artes); o zoológico (o qual fica num morro e transforma a visita em uma grande escalada que dá uma vista panorâmica da cidade – e eles possuem até um urso polar), o Castelo Hidalgo (outro prédio antigo construído em um morro gigantesco, o qual nos faz pensar até nas intempéries para a sua execução); o Palácio Gabriela Mistral; a Basílica (gigantesca e bem opressora); e o Pátio Bella Vista (um emaranhado de cafés e bares sofisticados, no bairro de mesmo nome, que é uma impressionante opção de bom gosto e tranquilidade).
Ainda no ano novo, fomos para Valparaiso e Viña Del Mar (a primeira é mais histórica e a segunda tem um apelo meio Ipanema do Pacífico), celebrar a passagem para 2012 (o fim?), tomar banho no mar gelado até demais e ir para uma festa chilena (que foi ótima e estranha, já que havia um tal de animador, que ficava falando e convidando todos para dançar e um Dj nada convencional – nunca vi um set list tão misturado e composto por 02 min, no máximo, de cada uma das músicas).
Caminhar por Viña foi muito legal, ainda mais apinhada de gente de todos os cantos. E somente na manhã seguinte que visitamos Valpo e pudemos ver os prédios históricos de origem inglesa (ah, mas para fazer tudo isso é necessário alugar um carro, caso contrário poderia virar um tiro no escuro – e o caminho de Santiago até as duas cidades é muito direto e fácil).
Enfim, ainda passamos por alguns bares, conhecemos chilenos (os quais são sempre muito simpáticos, na melhor caracterização do oposto que é o mal humorado e quase sempre rude argentino) e viramos amigos deles e sentimos de forma mais próxima a cultura local. Engraçado como alguns momentos, mesmo que curtinhos, ganham mais vividez e nitidez do que a nossas rotinas e parecem se encher de beleza.
Após uns 06/07 dias em Santiago, devo ressaltar que fiquei meio melancólico (acho que uma viagem boa deve nos deixar assim, não?). Tomamos nosso avião para Buenos Aires na manhã seguinte (já que fazer toda essa viagem de vinda de navio e onibus é cansativa, e ninguém merece se não for para conhecer pela primeira vez – ainda mais sabendo que, segundo cálculos, sai mais caro e menos confortável) e, rapidamente, trouxemos lembranças que valem a pena ser divididas.







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