A Pele que Habito
Como eu viajei de férias, só vim assistir “A Pele que Habito”, do Almodóvar, agora no começo de janeiro, nos cinemas (porém, ele tinha aportado por aqui em dezembro do ano passado, de forma que, dessa forma, devo considerá-lo, ainda, um destaque de 2011). Em todo caso, resolvi fazer um post rápido para falar dessa agradável surpresa, ótimo título do diretor (após seu menor e desequilibrado “Abraços Partidos”), e produzido na qualidade de “Volver”, “Tudo Sobre minha Mãe” e “Carne Trêmula”.
E não vou tratar da história em si cheia de detalhes (a qual foi baseada em um livro chamado “Tarântula”, quase que escrita para se tornar um filme do espanhol), mas da mensagem que me ficou mais marcada ao término da sessão (portanto, se você não viu o filme, não siga adiante, por conta dos spoilers).
Independente de um certo tipo de terror estar lá (algo, na minha opinião, até bem diferente dos exemplares de gênero do próprio Almodóvar), percebi que a mensagem principal falava da diferença (e a violência por não entendê-la); algo muito corriqueiro para os inúmeros causos que tem ganhado destaque da mídia: a noção de algo inexplicável, simplesmente existente (nesse caso, a vítima, alegorizada pelo arquétipo do paciente que se torna, contra seu controle, em um transsexual – metáfora muito própria para ressaltar tal condição desses seres de borda) versus seu extremo oposto, também incompreensível, intrusivo, gratuito e inconformado (o médico, arquétipo da ignorância e da violência gerada por ela).
O caos que se forma entre os dois pólos distintos acaba servindo de ferramenta para várias camadas de discussões psicológica e antropológica, bem como para a estética do estranho como componente da nossa sociedade (e aí, de forma mais sutil, toda a visualidade e sketches tão famosos do diretor).
Muito legal e válido para se sentir na condição estranha do outro, não entendido, pária. Uma obra que de maneira mais ampla pode tratar da delicada situação que cada ser humano vive em determinados contextos sociais. Ótimo começo de 2012, não?







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