Café Beatnik

260 Filmes

Posted in Cinema by cafebeatnik on julho 14, 2018

Nuovo-Cinema-Paradiso-32

uma lista com 260 filmes que gosto. poderia ser muito maior, mas busquei fazer escolhas. ela foi pensada (recriada), exatamente em uma tarde do dia 13 de julho de 2018. a base foi a de filmes que eu gosto de ver e rever constantemente, alguns de maneira até doentia.

irei colocá-la também no link ao lado, no antigo correspondente “Meus 100 Melhores Filmes”.

aqui eu enumerei, aleatoriamente, as obras e os diretores que mais marcaram minha compreensão. o critério é o juízo de gosto, com pitadas de estudo sobre a imagem.

outro ponto: nenhuma lista é suficiente, mas elas são legais.

a foto é de cinema paradiso, de giuseppe tornatore.

001 – a chinesa (jean-luc godard)
002 – era uma vez em tóquio (yasujiro ozu)
003 – roma, cidade aberta (rosselini)
004 – terra em transe (glauber rocha)
005 – um homem com uma câmera (dziga vertov)
006 – o sangue de um poeta (jean cocteau)
007 – um corpo que cai (hitchcock)
008 – a general (buster keaton)
009 – limite (mário peixoto)
010 – acossado (jean-luc godard)
011 – o gabinete do dr. caligari (robert wiene)
012 – cléo das 5 às 7 (agnès varda)
013 – a negra de… (ousmane sembène)
014 – o encouraçado potemkin (eisenstein)
015 – fellini 8 e 1/2 (fellini)
016 – arca russa (sokurov)
017 – o espelho (andrei tarkovski)
018 – a montanha sagrada (alejandro jodorowsky)
019 – 2001, uma odisséia no espaço (kubrick)
020 – o estado das coisas (win wenders)
021 – 2 ou 3 coisas que eu sei sobre ela (jean-luc godard)
022 – hiroshima, meu amor (alain resnais)
023 – alemanha ano zero (rosselini)
024 – os incompreendidos (françois truffaut)
025 – o ano passado em marienbad (alain resnais)
026 – blow up (antonioni)
027 – zero de conduta (jean vigo)
028 – veludo azul (david lynch)
029 – um cão andaluz (buñuel/ dali)
030 – o conformista (bertolucci)
031 – paris texas (win wenders)
032 – persona (bergman)
033 – querelle (fassibinder)
034 – isto não é um filme (jafar panahi)
035 – festim diabólico (hitchcock)
036 – a paixão de joana d’arc (dreyer)
037 – metrópolis (fritz lang)
038 – kagemusha (kurosawa)
039 – cidadão kane (orson welles)
040 – taxi driver (scorsese)
041 – o falcão maltez (john huston)
042 – sindicato de ladrões (elia kazan)
043 – o fantasma da liberdade (buñuel)
044 – cópia fiel (abbas kiarostami)
045 – aquarius (kleber mendonça filho)
046 – a maçã (samira makhmalbaf)
047 – o sétimo selo (bergman)
048 – saló ou os 120 dias de sodoma (pasolini)
049 – eles não usam black-tie (leon hirszman)
050 – a sociedade do espetáculo (guy debord)
051 – estrada perdida (david lynch)
052 – arquitetura da destruição (peter cohen)
053 – performance (nicolas roeg)
054 – trash (paul morrisey/ andy warhol)
055 – orfeu (jean cocteau)
056 – expresso para bordeaux (jean-pierre melville)
057 – o mistério de picasso (henri-georges clouzot)
058 – o terceiro homem (carol reed)
059 – zabriskie point (antonioni)
060 – amor à flor da pele (wong kar wai)
061 – johnny guitar (nicholas ray)
062 – le camión (marguerite duras)
063 – as mil e uma noites (pasolini)
064 – pacto de sangue (billy wilder)
065 – o mensageiro do diabo (charles laughton)
066 – as vagas estrelas da ursa (visconti)
067 – o discreto charme da burguesia (buñuel)
068 – olhos de serpente (brian de palma)
069 – repulsa ao sexo (polanski)
070 – quem tem medo de virgínia woolf? (mike nichols)
071 – a dama de xangai (orson welles)
072 – era uma vez na américa (sergio leone)
073 – três macacos (nuri bilge ceylan)
074 – gritos e sussurros (bergman)
075 – psicose (hitchcock)
076 – cassino (scorsese)
077 – a gangue (miroslav slaboshpitsky)
078 – os catadores e eu (agnès varda)
079 – a doce vida (fellini)
080 – estranhos no paraíso (jim jarmusch)
081 – a aventura (antonioni)
082 – o sétimo selo (bergman)
083 – cidade dos sonhos (david lynch)
084 – o filho de saul (lászló nemes)
085 – tio boonmee que pode recordar suas vidas passadas (apichatpong weerasethakul)
086 – dançando no escuro (lars von trier)
087 – a sala de música (satyajit ray)
088 – viagem à lua (georges méliès)
089 – adeus à linguagem (jean-luc godard)
090 – o ornitólogo (joão pedro rodrigues)
091 – a regra do jogo (jean renoir)
092 – chinatown (polanski)
093 – cabaré (bob fosse)
094 – apocalypse now (coppola)
095 – caché (michael haneke)
096 – o porteiro da noite (liliana cavani)
097 – cinema paradiso (tornatore)
098 – o poderoso chefão (coppola)
099 – pickpocket (bresson)
100 – o pássaro das plumas de cristal (dario argento)
101 – crepúsculo dos deuses (billy wilder)
102 – janela indiscreta (hitchcock)
103 – o anjo exterminador (buñuel)
104 – aurora (murnau)
105 – laranja mecânica (kubrick)
106 – annie hall (woody allen)
107 – a morte de um bookmaker chinês (john cassavetes)
108 – a caverna dos sonhos perdidos (werner herzog)
109 – partner (bertolucci)
110 – ascensor para o cadafalso (louis malle)
111 – o lamento da imperatriz (pina bausch)
112 – deus e o diabo na terra do sol (glauber rocha)
113 – a idade do ouro (buñuel/ dali)
114 – asas do desejo (win wenders)
115 – o grande ditador (charlie chaplin)
116 – era uma vez na anatólia (nuri bilge ceylan)
117 – a liberdade é azul (krzysztof kieslowski)
118 – o pagamento final (brian de palma)
119 – a grande beleza (paolo sorrentino)
120 – manuscritos não queimam (mohammad rasoulof)
121 – roma (fellini)
122 – rio 40 graus (nelson pereira dos santos)
123 – sebastiane (derek jarman)
124 – el topo (jodorowsky)
125 – satyricon (fellini)
126 – o pagador de promessas (nelson pereira dos santos)
127 – o bandido da luz vermelha (rogério sganzerla)
128 – boyhood (richard linklater)
129 – fogo contra fogo (michael mann)
130 – herói (zhang yimou)
131 – oldboy (park-chan wook)
132 – o bebê de rosemary (polansky)
133 – elefante (gus van sant)
134 – pulp fiction (tarantino)
135 – linha de passe (walter salles)
136 – árvore da vida (terrence malick)
137 – manhattan (woody allen)
138 – o pântano (lucrecia martel)
139 – polissia (maiwenn)
140 – faces (cassavetes)
141 – teorema (pasolini)
142 – edvard munch (peter watkins)
143 – canções do segundo andar (roy andersson)
144 – o cavalo de turin (bela tarr)
145 – fausto (sokurov)
146 – german concentration camps (george stevens)
147 – respiro (emanuele crialese)
148 – um estranho no lago (alain guiraudie)
149 – close-up (abbas kiarostami)
150 – taxi teerã (jafar panahi)
151 – crash, estranhos prazeres (cronenberg)
152 – naked lunch (cronenberg)
153 – holy motors (leos carax)
154 – a bela da tarde (buñuel)
155 – a assassina (hou hsiao-hsien)
156 – muito além do cidadão kane (simon hartog)
157 – verão violento (valério zurlini)
158 – a longa noite de loucuras (mario bolognini)
159 – na vertical (alain guiraudie)
160 – caravaggio (derek jarman)
161 – pina (wim wenders)
162 – no decurso do tempo (wim wenders)
163 – um instante de inocência (mohsen makhmalbaf)
164 – francofonia (sokurov)
165 – india song (marguerite duras)
166 – nathalie granger (marguerite duras)
167 – eraserhead (david lynch)
168 – festa de família (thomas vinterberg)
169 – bonnie e clyde (arthur penn)
170 – édipo rei (pasolini)
171 – a religiosa (jacques rivette)
172 – celine e julie vão de barco (jacques rivette)
173 – a mãe e a puta (jean eustache)
174 – happy together (wong kar wai)
175 – hedwig (john cammeron mitchell)
176 – dentro da casa (françois ozon)
177 – the party (blake edwards)
178 – persepolis (marjane satrapi)
179 – ghost in the shell (mamoru oshii)
180 – akira (katsuhiro otomo)
181 – jogo de cena (eduardo coutinho)
182 – o som ao redor (kleber mendonça filho)
183 – central do brasil (walter salles)
184 – a pele que habito (almodóvar)
185 – mulheres à beira de um ataque de nervos (almodóvar)
186 – a viagem de chihiro (hayao miyazaki)
187 – os sete samurais (kurosawa)
188 – incêndios (denis villeneuve)
189 – paradise now (hany abud-assad)
190 – timbuktu (abderrahmane sissako)
191 – o desafio (paulo césar saraceni)
192 – alice ou a última fuga (claude chabrol)
193 – nas garras do vício (claude chabrol)
194 – o raio verde (eric rohmer)
195 – minha noite com ela (eric rohmer)
196 – césar deve morrer (vittorio e paolo taviani)
197 – bande à parte (jean-luc godard)
198 – a idade da terra (glauber rocha)
199 – pixote, a lei do mais fraco (héctor babenco)
200 – deus branco (kornél mundruczó)
201 – haxan, a feitiçaria através dos tempos (benjamin christensen)
202 – crônica de um verão (jean rouch/ edgar morin)
203 – nosferatu (murnau)
204 – tempos modernos (charlie chaplin)
205 – a turba (king vidor)
206 – os 39 degraus (hitchcock)
207 – o garoto (charlie chaplin)
208 – a vida dos outros (florian henckel von donnersmarck)
209 – o processo (orson welles)
210 – viagem a darjeeling (wes anderson)
211 – um pombo pousou num galho refletindo sobre sua existência (roy andersson)
212 – viajo porque preciso, volto porque te amo (karim ainouz/ marcelo gomes)
213 – pauline vai à praia (eric rohmer)
214 – 1900 (bertolucci)
215 – a última sessão de cinema (peter bogdanovich)
216 – o dragão da maldade contra o santo guerreiro (glauber rocha)
217 – um lugar qualquer (sofia coppola)
218 – depois de lucia (michel franco)
219 – barravento (glauber rocha)
220 – entre os muros da escola (laurent cantet)
221 – hugo cabret (scorsese)
222 – entr’act (rené clair)
223 – batman o cavaleiro das trevas (christopher nolan)
224 – inimigos públicos (michael mann)
225 – tempo de embebedar cavalos (bahman ghobadi)
226 – o declínio do império americano (denys arcand)
227 – invasões bárbaras (denys arcand)
228 – tartarugas podem voar (bahman ghobadi)
229 – tangerine (sean baker)
230 – projeto flórida (sean baker)
231 – moonlight (barry jenkins)
232 – os demônios (ken russell)
233 – viagens alucinantes (ken russell)
234 – exit through the gift shop (banksy)
235 – o eclipse (antonioni)
236 – a última vez que vi macau (joão pedro rodrigues)
237 – o fantasma (joão pedro rodrigues)
238 – no (pablo larraín)
239 – trágico amanhecer (marcel carné)
240 – a conversação (coppola)
241 – touro indomável (scorsese)
242 – os bons companheiros (scorsese)
243 – paisá (rosselini)
244 – cais das sombras (marcel carné)
245 – um bonde chamado desejo (elia kazan)
246 – clamor do sexo (elia kazan)
247 – a grande ilusão (jean renoir)
248 – medéia (pasolini)
249 – o evangelho segundo são mateus (pasolini)
250 – o leopardo (visconti)
251 – simão do deserto (buñuel)
252 – ran (kurosawa)
253 – trono manchado de sangue (kurosawa)
254 – aguirre, a cólera dos deuses (werner herzog)
255 – a bela e a fera (jean cocteau)
256 – o processo (maria augusta ramos)
257 – intriga internacional (hitchcock)
258 – fitzcarraldo (werner herzog)
259 – berlin alexanderplatz (fassibinder)
260 – shoah (claude lanzmann)

Anúncios

Melhores (?) Filmes do 1º Semestre 2018

Posted in Cinema by cafebeatnik on julho 7, 2018

Para quem é de listas, aqui vai uma com o que tem rolado de mais interessante, para alguns de nós, pelo circuito Belenense>>

1080x1620_1516651637

01 – Visages Villages (Agnès Varda)

02 – Gabriel e a Montanha (Fellipe Barbosa)

03 – Projeto Flórida (Sean Baker)

04 – Lucky (John Carrol Lynch)

05 – Uma Mulher Fantástica (Sebastian Lelio)

06 – Com Amor, Van Gogh (Dorota Kobiela; Hugh Welchman)

07 – A Forma da Água (Guillermo Del Toro)

08 – Em Pedaços (Fatih Akin)

09 – Arábia (João Dumans e Affonso Uchoa)

10 – The Square (Ruben Ostlund)

11 – 120 Batimentos por Minuto (Robin Campillo)

12 – Wonder Wheel (Woody Allen)

13 – Bom Comportamento (Josh e Benny Safdie)

The-Florida-Project-poster

Diretora: Agnès Varda (Visages Villages)

Ator: João Pedro Zappa (Gabriel e a Montanha) e Harry Dean Stanton (Lucky)

Atriz: Daniela Vega (Uma Mulher Fantástica); Diane Kruger (Em Pedaços)

Ator Coadjuvante: Terry Notary (The Square)

Atriz Coadjuvante: Allison Janney (Eu, Tônia); Brooklyn Prince (Projeto Flórida)

Roteiro: Projeto Flórida; Uma Mulher Fantástica

Fotografia: Wonder Wheel (Vittorio Storaro); A Forma da Água (Dan Laustsen)

Direção de Arte: Com Amor, Van Gogh

Montagem: Lucky

Maquiagem: O Destino de uma Nação (Joe Wright)

Figurino: Uma Mulher Fantástica

Trilha Sonora: A Forma da Água

Animação: Com Amor Van Gogh

Documentário: Visages Villages

Melhores (?) Filmes do 2º Semestre 2017

Posted in Cinema by cafebeatnik on junho 2, 2018

Final de ano chegou e traz, junto dele, nossa segunda lista com destaques cinematográficos do ano. Lembre-se: aqui a proposta é fazer listas!

Podemos acrescentar, a propósito, que a maioria das obras relevantes deste ano tem passado no Cine Líbero Luxardo, reiterando sua excelente programação. Por outro lado, a quantidade obscena de continuações insípidas e de filmes inofensivos tem congestionado as salas comerciais de Belém. Escolha seu time, camarada!

Abaixo também colocamos nossa lista de mais interessantes filmes do primeiro semestre. Que ano!

manifesto_poster2

Top 15 2º Semestre 2017

01 – Manifesto (Julian Rosefeldt)

02 – O Sacrifício do Cervo Sagrado (Yorgos Lanthimos)

03 – Loveless (Andrey Svyagintsev)

04 – Como Nossos Pais (Laís Bodanzky)

05 – Com Amor, Van Gogh (Dorota Kobiela; Hugh Welchman); Beach Rats (Eliza Hittman)

06 – Ma’Rosa (Brillante Mendoza)

07 – Blade Runner 2049 (Denis Villeneuve)

08 – De Canção em Canção (Terrence Malick)

09 – L’Amant Double (François Ozon)

10 – Dunkirk (Christopher Nolan)

11 – Rodin (Jacques Doillon); O Jovem Marx (Raoul Peck)

12 – Entre os Homens de Bem (Carlos Juliano Barros e Caio Cavechini)

13 – O Estranho que Nós Amamos (Sofia Coppola)

14 – Voyage of Time (Terrence Malick)

15 – Corpo Elétrico (Marcelo Caetano)

the-killing-of-a-sacred-deer-poster

Diretor: Laís Bodanzky (Como Nossos Pais) e Julian Rosefeldt (Manifesto)

Ator: Barry Keoghan (O Sacrifício do Cervo Sagrado); Harris Dickinson (Beach Rats)

Atriz: Jaclyn Jose (Ma’Rosa); Cate Blanchett (Manifesto)

Ator Coadjuvante: Ed Harris (Mother!)

Atriz Coadjuvante: Clarisse Abujamra (Como Nossos Pais)

Roteiro: Manifesto; O Sacrifício do Cervo Sagrado

Fotografia: De Canção em Canção; O Sacrifício do Cervo Sagrado

Direção de Arte: Manifesto

Montagem: De Canção em Canção

Maquiagem: Manifesto

Efeitos: Blade Runner 2049 (Denis Villeneuve)

Figurino: O Estranho que Nós Amamos

Trilha Sonora: Dunkirk

Animação: Com Amor, Van Gogh (Dorota Kobiela; Hugh Welchman)

Documentário: Entre os Homens de Bem (Carlos Juliano Barros e Caio Cavechini)

comonossospais

Rivothriller: Ma’Rosa

Arteen: Beach Rats

SandyMovie: Blade Runner 2049

o_ornitologo_xlg

Top 15 1º Semestre 2017

01 – O Ornitólogo (João Pedro Rodrigues)

02 – Moonlight (Barry Jenkins)

03 – Na Vertical (Alain Guiraudie)

04 – Raw (Julia Ducournau)

05 – O Apartamento (Asghar Farhadi); Toni Erdmann (Maren Ade)

06 – Paterson (Jim Jarmusch); Frantz (François Ozon)

07 – Poesia sem Fim (Alejandro Jodorowsky)

08 – Jackie (Pablo Larraín); Personal Shopper (Olivier Assayas)

09 – Corra! (Jordan Peele)

10 – Eu, Daniel Blake (Ken Loach)

11 – Fences (Denzel Washington); Animais Noturnos (Tom Ford)

12 – Viva (Paddy Breathnach); Eu não sou seu Negro (Raoul Peck)

13 – Manchester à Beira Mar (Kenneth Lonergan)

14 – Neruda (Pablo Larraín)

15 – A Tartaruga Vermelha (Michael Dubok de Wit)

026080

Diretor: Alain Guiraudie (Na Vertical); João Pedro Rodrigues (O Ornitólogo) e Barry Jenkins (Moonlight)

Ator: Shahab Hosseini (O Apartamento); Denzel Washington (Fences)

Atriz: Viola Davis (Fences); Garance Marillier (Raw)

Ator Coadjuvante: Héctor Medina (Viva); Stephen Henderson (Fences); Jovan Adepo (Fences)

Atriz Coadjuvante: Marie Gruber (Frantz); Kristen Stewart (Personal Shopper)

Roteiro: O Apartamento (Asghar Farhadi); O Ornitólogo (João Pedro Rodrigues) e Na Vertical (Alain Guiraudie)

Fotografia: Moonlight

Direção de Arte: Paterson e Moonlight

Trilha Sonora: Jackie

Animação: A Tartaruga Vermelha (Michael Dubok de Wit)

Documentário: Eu não sou seu Negro (Raoul Peck)

 

Carta sobre a Exposição PANÓS

Posted in Artes Plásticas, Ensaios, Variações Pessoais by cafebeatnik on junho 2, 2018

Convite exposição Panós

Icoaraci, 02 de junho de 2018

Pai,

 

Eu bem sei que faz um tempo muito longo que não nos falamos. Todavia, resolvi quebrar o silêncio com esta carta sobre uma exposição, PANÓS, que está ocorrendo aqui na nossa conhecida Icoaraci, Casa do Artista, um espaço que, acredito, iria lhe agradar sobremaneira.

Tomo como ponto de partida a própria casa, habitação em que o íntimo, o público e o artístico se misturam aconchegantemente, repleta de sensibilidade. Suas paredes são, literalmente, tomadas por trabalhos de cima a baixo, tudo muito organizado, decorado com extremo carinho pelos seus artistas-proprietários e sonhadores, Werne Souza e Auda Piani. Há até um quintal fantástico, com bancos e cadeiras para se sentar, partilhar, aprender e conversar por horas a fio. É neste local no fundo da casa, por sinal, que podemos encontrar instrumentos para se trabalhar com diversas técnicas artísticas, caso de pincéis, cinzéis e outros utensílios que me escapam inclusive os nomes.

No que concerne à exposição, pai, digo-lhe que são oito artistas, todos amigos e amigas, os quais farão parte da mostra supracitada, que, aliás, tem este nome, por que todos trabalharam com este material. Alguns conheço há anos, desde que comecei a trabalhar com crítica de arte contemporânea paraense.

O primeiro com quem falei foi com o Werne Souza, o qual me apresentou suas obras, seus cadernos de artista sobre tecido. Sua pesquisa visual é muito variada, tocando a crítica social, a experimentação das formas e texturas, de maneira a chegar também, em certos casos, em narrativas mais poéticas e fragmentárias – tem um livro seu sobre uma menina com pássaros e bois que me falou tão profundamente. Senti uma certa melancolia enquanto folheava as páginas tomadas por tintas, figuras e solidão…

O Werne também foi extremamente solicito e não poupou energias para me mostrar o trabalho de alguns de seus amigos que não estavam lá na hora. Dentre eles, o primeiro que chamou minha atenção foi o da Marga Gondim, espécie de desenhos com números sobre tecidos. Descobri que havia uma relação tanto com a tragédia de Mariana (MG), quanto com a de Barcarena (PA), trazendo em seu rastro a denúncia contra a impunidade e o embate entre sujeitos com forças diametralmente opostas. As expressões de dor das figuras, a técnica meio que a emular a ideia de lama a nos engolir. Nossa, que forte, pareciam sudários! E acredite, ela está apenas começando sua carreira como artista!

Depois conversei ainda sobre as obras do Ed Piani. Alguns chamariam de quadros, mas como ele fez uso de materiais reciclados de embarcações para falar de nossa realidade dos rios, inventamos um nome meio difícil no meio das artes, assemblages, já que as obras são verdadeiros mosaicos de materiais encontrados e utilizados a apontar para uma estética fluvial. Vou lhe ser sincero que lembrei do senhor quando vi uma delas, espécie de bússola, instrumento útil para nós viajantes.

Rybas e Telma Saraiva, por outro lado, são dois artistas que vivenciaram a cena cultural de grande movimentação das artes visuais paraenses. Eles voltam, agora, nesta exposição, com trabalhos que revelam suas indignações para com nossa realidade social. Rybas  apresenta uma pintura sobre tecido para expressar seu pesar pelo genocídio de populações indígenas no nosso país, com ênfase no Pará, uma prática nefasta que tem ganhado mais força por conta desse capitalismo selvagem que engole tudo e todos. Ao passo que Telma traz uma instalação com um mosqueteiro, com seu nome assinado em letras que lembram os nomes das antigas tabernas de Icoaraci e ponto cardeal também. No interior da cápsula/ mosqueteiro, há um boneco feito de vários tecidos de blusas usadas. Além do fato de trazer um item que fez parte da minha infância, o mencionado mosqueteiro, o boneco sem rosto emite, por meio de um dispositivo de áudio, vozes variadas de homens, mulheres e crianças, vozes sem rosto que falam das suas fomes na sociedade. Não tinha como não esperar uma crítica às políticas públicas precárias daqui do Estado por parte da minha amiga. Ela tem essa habilidade de falar tanto e de forma tão simples para muitos. Sem dúvida, seria uma das obras mais estimadas pelo senhor.

A Lúcia Gomes, para não dizer que não falei das flores, está com um trabalho de teor relacional, já que somos convidados a participar doando aqueles paninhos que geralmente colocamos nas bocas das torneiras de nossas cozinhas. Após o recebimento desses panos, ela os preenche com mudas de plantas. Segundo seu roteiro poético, a ideia é a de semear um país onde não existam injustiças nem desigualdades. O senhor se lembra daquele ditado de que as ideias mais simples podem mudar o mundo de muitos? Acredito que esse poderia ser um bom caminho de começo de interpretação.

O Faeli Moraes também traz uma peça feita em parceria, só que neste caso com seus alunos. É um tecido onde se acham retalhos e mensagens sobre liberdade, respeito à diferença e sensibilidade partilhada. A figura de uma mulher negra a nos encarar nos alerta até para o fato de que os crimes cometidos no presente e no passado contra populações de matriz africana nunca serão esquecidos. A memória é a maior aliada para que lembremos, no futuro, de tudo que foi feito à base da violência, do preconceito e do poder. Não podemos nos esquecer jamais, afinal, Mariele também está presente neste momento de grande insegurança e medo.

O último artista com quem conversei foi o Cledyr Pinheiro. Sujeito simples, de risada afetuosa. Sua família mora no Nordeste brasileiro, território onde passamos boa parte de nossas vidas. A obra que o Cledyr está expondo é uma lona, com uma imagem da bandeira nacional ao centro, e seu entorno repleto de pegadas em tinta branca. Queria ele chamar a atenção para o nosso papel ativo e/ ou conivente ao pisotearmos o nosso próprio país? Ou será que ajudamos a pisotear ainda mais este continente desigual quando acatamos sem pensar o que é exposto pela televisão, aliada de grupos privilegiados e criminosos?

É, pai, teríamos tanto para conversar, para (re)conhecer um ao outro nessa precária impermanência que somos a nós mesmos. Veja só como uma única exposição, uma única casa para nos receber nos renderia horas e horas de conversas, todas instigadas por sua retórica que tem feito preciosa falta! Bem sei que a duração dessa nossa conversa não seria mais medida por relógios, uma vez que eles escapariam de nossas realidades intangíveis…

John Fletcher

De Canção em Canção, de Terrence Malick

Posted in Cinema, Deuses do Cinema by cafebeatnik on agosto 15, 2017

1493727719_590879e767f1a

Para atender pedidos, mesmo em formato de drops, “De Canção em Canção”, recente lançamento de Terrence Malick, em cartaz no Cine Líbero Luxardo>>

Desde seu retorno em “Além da Linha Vermelha” (seguido pelos excelentes “O Novo Mundo”, “Árvore da Vida”, “Amor Pleno” e “Cavaleiro de Copas”), Malick permanece como alguém que merece ser escutado.

“Song to Song” mantém sua assinatura, genialidade, além da parceria com o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki (o trabalho deste é impecável neste título, pra variar). A narrativa, mesmo fragmentária, trata de algo relevante aos nossos dias: a tensão entre idealização (com seu teatro, suas vivências, espetáculo artificial e vazio) e vida real (a simplicidade e a experiência).

Fassbender, na história, é um produtor musical e se mostra como um buraco negro que engole quem está ao seu redor. É ao lado dele que gravitam personagens líricos, profundos e cheios de dilemas (Rooney Mara e Ryan Gosling, por exemplo, num par romântico de dar inveja ao superficial último filme do Chazelle).

Veja mais de uma vez esta obra sobre sonhos, frustrações, fracassos e redenções para melhor absorvê-la. Você só precisa de fôlego, pois o longa tem 2h10min de puro autoralismo, repleto de fragmentos textuais poéticos e filosóficos (próprios ao contexto dos personagens), e uma câmera que vaga sobre a trama e os personagens de maneira quase etérea.

De bônus você ainda terá participações memoráveis de John Lydon (Sex Pistols), Iggy Pop, Red Hot Chili Peppers e Patti Smith.

ps.: Bérénice Marlohe é, na minha opinião, olímpica.

John Fletcher

Melhores (?) Filmes do 1º Semestre 2017

Posted in Cinema by cafebeatnik on junho 13, 2017

24669db8b98f23d4fb5892028016b29725f40a63

Melhores Filmes 1 Semestre 2017

01 – O Ornitólogo (João Pedro Rodrigues)
02 – Moonlight (Barry Jenkins)
03 – Na Vertical (Alain Guiraudie)
04 – Raw (Julia Ducournau)
05 – O Apartamento (Asghar Farhadi); Toni Erdmann (Maren Ade)
06 – Paterson (Jim Jarmusch); Frantz (François Ozon)
07 – Poesia sem Fim (Alejandro Jodorowsky)
08 – Fences (Denzel Washington); Animais Noturnos (Tom Ford)
09 – Personal Shopper (Olivier Assayas)
10 – I, Daniel Blake (Ken Loach)
11 – Jackie (Pablo Larraín)
12 – Viva (Paddy Breathnach); Eu não sou seu Negro (Raoul Peck)
13 – Manchester à Beira Mar (Kenneth Lonergan)
14 – Neruda (Pablo Larraín)
15 – A Tartaruga Vermelha (Michael Dubok de Wit)

o_ornitologo_xlg

Diretor: Alain Guiraudie (Na Vertical); João Pedro Rodrigues (O Ornitólogo) e Barry Jenkins (Moonlight)
Ator: Shahab Hosseini (O Apartamento); Denzel Washington (Fences) e James McAvoy (Fragmentado, de M. Night Shyamalan)
Atriz: Viola Davis (Fences); Garance Marillier (Raw)
Ator Coadjuvante: Héctor Medina (Viva); Stephen Henderson (Fences); Jovan Adepo (Fences)
Atriz Coadjuvante: Marie Gruber (Frantz); Kristen Stewart (Personal Shopper)
Roteiro Original: O Apartamento (Asghar Farhadi); O Ornitólogo (João Pedro Rodrigues) e Na Vertical (Alain Guiraudie)
Roteiro Adaptado: Fences (Denzel Washington)
Fotografia: Moonlight
Direção de Arte: Paterson e Moonlight
Trilha Sonora: Jackie
Animação: A Tartaruga Vermelha (Michael Dubok de Wit)
Documentário: Eu não sou seu Negro (Raoul Peck)

026080

Categorias Especiais (mas nem sempre)

Rivothriller: Raw (Julia Ducournau); O Lamento (Hong-Jin Na)
Arteen: La La Land (Damien Chazelle)
SandyMovie: Hell or High Water (David Mackenzie)

Melhores (?) Filmes de 2016

Posted in Cinema by cafebeatnik on dezembro 6, 2016

Depois de um ano sem maiores informações cinematográficas (ano atribulado, difícil para organizar os arquivos em um único post), chegou o momento de compartilhar as listas com os Preferidos do Ano

.

Para termos de organização, dividimos os títulos escolhidos em três etapas: Melhores do 1º Semestre, Melhores do 2º Semestre e Balanço Geral com os Melhores de 2016. Esta foi uma alternativa para dar conta de uma quantidade expressiva de títulos, em muito amparada por uma programação excelente e contínua do Cine Líbero Luxardo, em Belém, Pará. Além destas mencionadas etapas, ainda colocamos uma relação pormenorizada em categorias dos participantes (direção, ator, atriz etc.).

Também não podemos não mencionar o fiasco que foi a cerimônia do Oscar de 2016, com obras completamente irrelevantes. Os amantes do cinema americano que me perdoem, mas, cada vez mais, é menos interessante prestigiar o que vem da indústria de Hollywood. Outro ponto desconcertante: filmes de super heróis e continuações que não acabam! É tanta bobagem repleta de piadinhas e efeitos especiais esquizofrênicos… Cuidado com sua saúde mental!

Nossos vizinhos latinos, por outro lado, nos trouxeram um ano surpreendente. Desde títulos hors concoursO Abraço da Serpente, de Ciro Guerra; A Terra e a Sombra, de César Augusto Acevedo -, até os aqui eleitos, pudemos ter certeza, mais uma vez, que o Cinema é!

tumblr_nzgthvqm4x1qm7fcfo1_1280

Filmes 1º Semestre de 2016

01 – O Filho de Saul (László Nemes)
02 – Cemitério do Esplendor (Apichatpong Weerasethakul)
03 – Meu Rei (Maiween)
04 – Dheepan (Jacques Audiard); O Abraço da Serpente (Ciro Guerra)
05 – As Confissões de Marnie (Hiromasa Yonebayashi)
06 – O Clube (Pablo Larraín); Sicário (Denis Villeneuve)
07 – A Bruxa (Robert Eggers)
08 – Agnus Dei (Anne Fontaine); A Terra e a Sombra (César Augusto Acevedo)
09 – Anomalisa (Charlie Kaufman)
10 – Hail, Caesar! (Joel & Ethan Cohen)

241687

Filmes 2º Semestre de 2016

01 – Aquarius (Kleber Mendonça Filho)
02 – Francofonia (Alexandr Sokurov); Cinema Novo (Erik Rocha)
03 – Elle (Paul Verhoeven); De Longe te Observo (Lorenzo Vigas)
04 – The Lobster (Yorgos Lanthimos); Taxi Teerã (Jafar Panahi)
05 – A Comunidade (Thomas Vinterberg); Café Society (Woody Allen)
06 – Julieta (Pedro Almodóvar)
07 – O Clã (Pablo Trapero)
08 – Louder than Bombs (Joachin Trier)
09 – The Handmaiden (Park Chan-Wook)
10 – As Montanhas se Separam (Jia Zangkhe); Incompreendida (Asia Argento)

280317

Balanço Geral Filmes de 2016

01 – Aquarius (Kleber Mendonça Filho)
02 – O Filho de Saul (László Nemes)
03 – Cemitério do Esplendor (Apichatpong Weerasethakul)
04 – Francofonia (Alexandr Sokurov); Cinema Novo (Erik Rocha)
05 – Taxi Teerã (Jafar Panahi)
06 – Meu Rei (Maiwen)
07 – Elle (Paul Verhoeven)
08 – De Longe te Observo (Lorenzo Vigas)
09 – The Lobster (Yorgos Lanthimos)
10 – Deephan (Jacques Audiard)

342325-jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx

Por Categorias

1. Diretor – László Nemes (O Filho de Saul) e Kleber Mendonça Filho (Aquarius)
2. Ator – Alfredo Castro (De Longe te Observo)
3. Atriz – Emmanuelle Bercot (Mon Roi) e Sônia Braga (Aquarius)
4. Ator Coadjuvante – Irandhir Santos (Ausência)
5. Atriz Coadjuvante – Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados)
6. Montagem – De Longe te Observo (Lorenzo Vigas) e Cinema Novo (Erik Rocha)
7. Direção de Arte – O Filho de Saul
8. Fotografia – O Filho de Saul (Mátyás Erdély) e Café Society (Vittorio Storaro)
9. Roteiro – Kleber Mendonça Filho (Aquarius) e The Lobster (Yorgos Lanthimos)
10. Efeitos Especiais – A Chegada (Denis Villeneuve)
11. Animação – As Confissões de Marnie (Hiromasa Yonebayashi)
12. Trilha Sonora – Aquarius (Gustavo Montenegro) e Amor Eterno (Ennio Morricone)
13. Documentário – Francofonia (Alexandr Sokurov) e Cinema Novo (Erik Rocha)

***

Só para lembrar: toda lista é incompleta. Esta é uma síntese do que foi possível assistir e gostar.

Se te Queres Matar

Posted in Sem categoria by cafebeatnik on outubro 10, 2016

Se te queres matar, por que não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria…
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por atores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fím?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente…
Talvez, acabando, comeces…
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!

Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém…
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te…
Talvez peses mais durando, que deixando de durar…

A mágoa dos outros?… Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão…
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é coisa depois da qual nada acontece aos outros…

Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada…
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas…
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além…
Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido…
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia…

Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

Encara-te a frio, e encara a frio o que somos…
Se queres matar-te, mata-te…
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência! …
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?

Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?

Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjetividade objetiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?

Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?

Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente,
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células noturnamente conscientes
Pela noturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atômica das coisas,
Pelas paredes turbihonantes
Do vácuo dinâmico do mundo…

Álvaro de Campos, in “Poemas”

Melhores (?) Filmes 1º Semestre 2016

Posted in Cinema by cafebeatnik on julho 12, 2016

3cc6e7f7f2317a2d06acacc4a7698efe

01 – O Filho de Saul (László Nemes)
02 – Cemitério de Esplendor (Apichatpong Weerasethakul)
03 – Meu Rei (Maiween)
04 – Dheepan (Jacques Audiard); O Abraço da Serpente (Ciro Guerra)
05 – As Confissões de Marnie (Hiromasa Yonebayashi)
06 – O Clube (Pablo Larraín); Sicário (Denis Villeneuve)
07 – A Bruxa (Robert Eggers)
08 – Agnus Dei (Anne Fontaine); A Terra e a Sombra (César Augusto Acevedo)
09 – Anomalisa (Charlie Kaufman)
10 – Hail, Caesar! (Joel & Ethan Cohen)

Melhores (?) Filmes 2º Semestre 2015

Posted in Sem categoria by cafebeatnik on dezembro 13, 2015

poster-de-a-historia-da-eternidade-1424727513311_646x960

Neste semestre, em que todos ficaram empolgados com o filme Que Horas Ela Volta, deixaram passar, sem a mídia que merecia, mais uma grande produção do cinema pernambucano, A História da Eternidade, dirigido por Camilo Cavalcante e uma das mais belas obras para se juntar ao nosso panteão cinematográfico brasileiro. Tudo neste é impressionante, desde sua cena de abertura, sua fotografia milimetricamente pensada e os vários frames inspirados e neotropicalistas de Irandhir Santos – sua cena dançando Secos & Molhados é um ícone instantâneo – e de Marcelia Cartaxo.

Por outro lado, o mesmo pode ser dito sobre o hype em torno de produções estrangeiras questionáveis. Love, de Gaspar Noé, foi um desses grandes comentados só por ter cenas de sexo explícito em formato 3D, mesmo com um horroroso discurso pautado em pilares conservadores, misóginos, transfóbicos e homofóbicos. Foi este tipo de atenção maior à superfície, em detrimento do conteúdo, que muito “entendedor” de cinema não se deu conta da força por trás de Um Pombo pousou num Galho refletindo sobre a Existência, de Roy Andersson, narrativa lírica, clown e cínica sobre nossos dias de pobreza (e não de experiência), ou mesmo de A Assassina, de Hou Hsiao-Hsien, Prêmio de Melhor Direção em Cannes 2015 e detentor de um novo grande momento para o gênero de samurai chinês.

Podemos, inclusive, até questionar se tivemos um semestre mais fraco em termos de acesso à produções estrangeiras. De certa forma, lembremos, ficamos a mercê de um circuito cada vez mais fechado em torno de uma pobre e idiotizante produção norte americana. Todavia, para além dessas justificativas que não cabem mais aos dias de hoje – download é uma prática salutar para fazer sobreviver a inteligência de qualquer um -, novas formas de enxergar e de fazer cinema se fizeram disponíveis para se desaprender os modos dominantes, pirotécnicos e esvaziados dessa indústria capitalizante e camuflada de sétima arte.

Seja como for, a seguir apresentamos nossa seleção de preferidos do 2º Semestre de 2015, mais uma pontuação categorizada de aspectos pertencentes a esses filmes. Logo após, recolocamos nossa lista de Filmes do 1º Semestre, com suas correspondentes categorias discriminadas.

PigeonSatOnABranch_Poster_70x100-BE-resized

Melhores Filmes 2º Semestre 2015

01 – A História da Eternidade (Camilo Cavalcante)
02 – Um Pombo pousou num Galho refletindo sobre a Existência (Roy Andersson)
03 – Minha Mãe (Nanni Moretti)
04 – A Assassina (Hou Hsiao-Hsien)
05 – Perdido em Marte (Riddley Scott)
06 – O Homem que elas Amavam Demais (André Techiné)
07 – Cave of Forgotten Dreams (Werner Herzog)
08 – What Happened, Miss Simone? (Liz Garbus)
09 – Conto dos Contos (Matteo Garrone)
10 – Crimson Peak (Guillermo Del Toro); Samba (Eric Toledano)

mia-madre-poster

Direção – Camilo Cavalcante (A História da Eternidade) e Roy Andersson (Um Pombo pousou num Galho refletindo sobre a Existência)
Ator – Irandhir Santos (A História da Eternidade)
Atriz – Margherita Buy (Minha Mãe)
Ator Coadjuvante – Nils Westblom (Um Pombo pousou num Galho refletindo sobre a Existência)
Atriz Coadjuvante – Catherine Deneuve (O Homem que elas Amavam Demais) e Marcelia Cartaxo (A História da Eternidade)
Edição – A História da Eternidade
Roteiro – Um Pombo pousou num Galho refletindo sobre a Existência
Fotografia – A Assassina e A História da Eternidade
Direção de Arte – A Assassina e A História da Eternidade
Trilha Sonora – A História da Eternidade

%d blogueiros gostam disto: